sábado, 7 de setembro de 2013

ponto final só depois da morte

Mantenho parada, estática perante esta corrente que me atravessa sem que me aperceba que está passando. Agarro-me à ilusão de ter o que não posso, de avançar no caminho que alucinada crio para satisfação própria. Mergulhei na incerteza de não saber o que me prende a esta realidade estática e monótona. Esta realidade, este mundo, que me envolve em diluvias conversas. Mas o tempo passou... e eu que nem dei por ele passar. Questiono-me onde estava enquanto os dias passavam. É hora de mudar de caminho e eu, mergulhada neste paralelismo de realidades, nem próxima percebi que estava. Rejeito a verdade de estar demasiado afundada em imaginações para ver que o tempo passou e como tudo mudou (ou não.) Desperta a necessidade de não mais querer ter que saber o que é saudade, saudade de ti, saudade do tempo em que não existia saudade.
Neste pequeno momento de lucidez percebo que, olhando para trás, vejo lacunas no caminho que percorri até ti. Falta-me a consciência de como cheguei, se é que cheguei. Perdi a noção do tempo e agora que reconheço a perda quero voltar, voltar para que todo este caminho seja relembrado e vivido sem que nada passe em falso. Mas insisto e continuo no replay... eu vou lá chegar. Passo a passo, concentra-te!
O tempo passou, e agora que passou penso nele, penso e questiono as certas incertezas de não saber se tudo acaba como acabam todos os contos, com um mero e misero ponto final. Fujo aos erros, evito as desilusões, procuro refugio, nego o medo, guarda levantada, cabeça erguida, coração resguardado, mente concentrada, objectivo focado, caminho traçado. Talvez Saramago tivesse razão, ponto final só depois da morte

quinta-feira, 25 de julho de 2013

3- sombras, frases, dias e horas.

A noite está fria, atrás de mim restam 3 sombras que vejo com distinção na penumbra da luz que me rodeia. Emergem as palavras, que perdidas ficam na busca pelo ritmo que, nesta noite fria, parece ter afundado.
Emerge a essência desconhecida deste flutuar de perguntas às respostas que ficaram na mão daquele que sem receio deixou a corrente correr sem margem para lacunas.

criado pelo hábito, o hábito de viver.

[Vamos perdendo racionalidade, a lógica dispersa-se e o real ganha dimensões medíocres. Entramos num jogo de comodismo, na luta pela permanência do habitualmente natural, porque fora disso só abismo.]

De mão dada com a rotina ficou perdido no cómodo passado que criou sob as fracas bases que projectou  para sustentar a vida fictícia que idealizou.
Habituado a cumprir o hábito por hábito o ser criou em si um mundo de comodismos. O seu mundo é a sua zona de conforto limitada pelos passos que ficaram por dar. O medo falará sempre mais alto para quem vive rodeado do que mais precisa, e para quem o hábito vence a vontade de vencer. Os facilitismos que os levam a construir na vida cada alicerce da sua rotina serão para sempre o sabor do desgaste humano de não saber "beber com moderação". Mas o hábito tornou-se vício, e viver passou a ser um verbo condicionado.
Habituados a mediocridade de conhecer uma única vida vivem conformados com a linha que os acompanha dia após dia na caminhada reta e perfeita que desenham. Entram em loop ciclico e sem que o possam ver entraram na arena do comodismo em que viver virou um jogo onde só são permitidos os jogadores que cumprirem as regras estabelecidas. Viver ganhou condições e a razão foi substituída pela impulsividade de não saber o ciclo em que se caiu.




terça-feira, 14 de maio de 2013

Obstáculos, eternas aprendizagens!


Obstáculos, eternas aprendizagens!
Percebi que sou, de um, a coragem que faltou para ser, de outro, a vontade escondida de querer ser.
Vivo guardiã de uma individualidade pessoal que aprendi a valorizar, acima de todas as contrariedades, de todos os obstáculos e advertências. Vivo a luta de não perder aquilo que trago cá dentro, vivo o orgulho de ser alma independente, original.
A água vai correndo e em melancólico movimento visiono a eterna aprendizagem deste ciclo vicio a que chamamos “crescer”.  A vida encarrega-se de me mostrar o valor intrínseco do ser humano enquanto individuo singular e único. Porque somos indivíduos pessoais onde a alma e o corpo formam um conjunto perfeito impossível de igualar, somos seres possuidores de uma originalidade única, de uma personalidade ímpar, de uma ambição feroz capaz de atingir qualquer sonho querido (porque esses, esses existem para serem realizados). Somos impressões digitais de uma sociedade que ninguém pode alterar.
Contrariedades, chamemos-lhe assim, que tão arduamente trabalham para mostrar o valor do mundo. Contrariedades persistentes que insistem em puxarem para trás, desconhecendo elas a força que cresce na luta para seguir caminho.
Contrariedades que de tanto reprimirem ensinaram o valor da individualidade e o quão merecedor é a luta pela singularidade sem resignação da verdade que se é.
Pudesse eu um dia agradecer às contrariedades que me elevam à certeza de saber que sonho e identidade pessoal são o ouro e a dignidade da junção da alma com o corpo, e seria ironia dizer que a minha força veio do apoio que ficou por dar. 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

e sem motivo aparente, ficou agreste.

Deixei, sem motivo aparente, palavras soltas no olhar de quem não soube falar dessa ânsia desmedida de tornar palpável esse teu brilho.
Sem motivo aparente, me consumo em linhas condutoras de um pensamento que me segue sem rumo a uma realidade que não mais posso conhecer. Vivo e sigo no caminho agreste de não poder saber que me mantenho estática. Eminentemente perigoso esse teu ar, esse teu poder que me consome e me leva à deriva. Perco o controlo e sem saber afundei na realidade em que o infinito é o amanhecer do dia, levanto-me e sinto-me perdida, sei que não te posso ter, mas nem por isso te quero menos.
Não mais conheço o rosto da racionalidade, não mais me levo ao sabor da lucidez. Quero sair desta corrente que me arrasta por marés que de tão encantadoras serem me tiraram a consciência da minha realidade verdadeira. Soubesse eu a origem desta força motriz e há muito teria deixado de caminhar (ou talvez não). Não sei até vamos, quero parar, sair do caminho, deixar que sigas...
perdi o ritmo, sinto-me inconsciente, com muito pouco de lucidez, (até lunática talvez) por não saber como te ver, por não saber se o que sinto é és tu ao meu lado ou a mera imagem que criei de ti que, sem motivo aparente, me acompanha nesta viagem de caminhos agrestes.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Verdades escondidas nas palavras que ficaram por dizer.


Os recursos gastaram-se, as portas fecharam-se, as tentativas falharam. No meio apenas a guarda levantada estudando as escassas estratégias que lhe restam. Pouco mais há a testar. Guardado permanece apenas a sua maior defesa, o seu melhor esconderijo, a mais poderosa das suas armas. Eternamente guardado, naturalmente espontâneo, assim é o dom de sentir a dimensão que transcende os limites da racionalidade, que ultrapassa as leis da lucidez, e que, sem muita exigência carrega o peso que acarta sobre os ombros. O dom de refúgio, de protecção  de liberdade, da sua vontade exuberante de escrita. E a verdade é que a sua melhor arma é também a sua melhor defesa, a mais pura das suas verdades, o mais fiel dos seus testemunhos. Ah, fracos daqueles que sempre lhe olhando nos olhos não vêm sua ambição, o seu desejo de alcançar o maior. Francos daqueles que sempre a vendo acordar não acompanharam a sua mudança, o seu engrandecimento, o seu “passar para além de”, de querer mais, de fazer diferente! Fracos daqueles que sempre limitando continuam presos às tácticas do passado, acreditando (enganados) que a experiência lhe dá o avanço necessário param manterem a dianteira em segurança. Mas o jogo mudou, e improviso após improviso todos os recursos se esgotaram restando, agora, apenas o teatro de palavras em que os argumentos e as verdades deixaram de fazer parte do elenco principal. O orgulho assumiu o controlo e os sentimentos ficaram esquecidos na caixinha de acessórios, guardada no alçapão, juntamente com a racionalidade e a lucidez. No seu bolso resta apenas aquele trunfo que guarda, bem em seguro, para que não lho tirem também. Não é segredo, mas só os verdadeiros sabem da sua existência. É a sua chave, saber da sua existência é perceber a sua verdadeira visão do mundo. Mal saberia que este seu trunfo teria de ser um dia usado para gritar a voz que nunca conseguiu falar, que todos os seus minutos de inspiração seriam expostos às luzes das ribaltas, tudo em prol de uma última tentativa de retomar o caminho certo, que há muito foi abandonado. Sabe que não é possível, mas que fique a certeza que deu tudo de si, que fique a certeza que a sua consciência permanece tranquila e a sua alma orgulhosa de tudo aquilo que é. Sem reticências, sem senão, assim se vive uma vida em que o maior apoio se tornou a maior fraqueza e onde o olhar é a janela para o coração.
E mesmo que um dia nada mais haja a fazer ou dizer que fique a certeza que demos o melhor, que fomos o melhor e que vimos o melhor deste mundo onde dia após dia remendamos o nosso quotidiano na luta pela voz da singularidade contra a vida de marioneta. E se a coragem faltar, se algo ficar por fazer, tudo isto será mais uma das verdades escondidas nas palavras que ficaram por dizer.