Mantenho parada, estática perante esta corrente que me atravessa sem que me aperceba que está passando. Agarro-me à ilusão de ter o que não posso, de avançar no caminho que alucinada crio para satisfação própria. Mergulhei na incerteza de não saber o que me prende a esta realidade estática e monótona. Esta realidade, este mundo, que me envolve em diluvias conversas. Mas o tempo passou... e eu que nem dei por ele passar. Questiono-me onde estava enquanto os dias passavam. É hora de mudar de caminho e eu, mergulhada neste paralelismo de realidades, nem próxima percebi que estava. Rejeito a verdade de estar demasiado afundada em imaginações para ver que o tempo passou e como tudo mudou (ou não.) Desperta a necessidade de não mais querer ter que saber o que é saudade, saudade de ti, saudade do tempo em que não existia saudade.
Neste pequeno momento de lucidez percebo que, olhando para trás, vejo lacunas no caminho que percorri até ti. Falta-me a consciência de como cheguei, se é que cheguei. Perdi a noção do tempo e agora que reconheço a perda quero voltar, voltar para que todo este caminho seja relembrado e vivido sem que nada passe em falso. Mas insisto e continuo no replay... eu vou lá chegar. Passo a passo, concentra-te!
O tempo passou, e agora que passou penso nele, penso e questiono as certas incertezas de não saber se tudo acaba como acabam todos os contos, com um mero e misero ponto final. Fujo aos erros, evito as desilusões, procuro refugio, nego o medo, guarda levantada, cabeça erguida, coração resguardado, mente concentrada, objectivo focado, caminho traçado. Talvez Saramago tivesse razão, ponto final só depois da morte
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