Sem motivo aparente, me consumo em linhas condutoras de um pensamento que me segue sem rumo a uma realidade que não mais posso conhecer. Vivo e sigo no caminho agreste de não poder saber que me mantenho estática. Eminentemente perigoso esse teu ar, esse teu poder que me consome e me leva à deriva. Perco o controlo e sem saber afundei na realidade em que o infinito é o amanhecer do dia, levanto-me e sinto-me perdida, sei que não te posso ter, mas nem por isso te quero menos.
Não mais conheço o rosto da racionalidade, não mais me levo ao sabor da lucidez. Quero sair desta corrente que me arrasta por marés que de tão encantadoras serem me tiraram a consciência da minha realidade verdadeira. Soubesse eu a origem desta força motriz e há muito teria deixado de caminhar (ou talvez não). Não sei até vamos, quero parar, sair do caminho, deixar que sigas...
perdi o ritmo, sinto-me inconsciente, com muito pouco de lucidez, (até lunática talvez) por não saber como te ver, por não saber se o que sinto é és tu ao meu lado ou a mera imagem que criei de ti que, sem motivo aparente, me acompanha nesta viagem de caminhos agrestes.