"And if I never saw you again could I keep all of this inside?"Eu sento-me. Penso, e invadida por todos pensamentos que me atormentam e me afogam num mar de estúpidas indecisões revejo-me numa realidade que não mais posso manter. O tempo passou e tão longe que ficou o tempo da escrita, tão longe que ficou o tempo de ter tempo para aproveitar o tempo que o tempo me dava. O tempo passou e nós ficamos parados, agarrados, amordaçados à constante incerteza. Precisamos de mais tempo do que o tempo que temos, no pior dos casos, precisamos da eternidade (e o drama de tudo, é que não a temos). "I'm a shiver"Escrevo, sem saber o que escrevo mas certa sobre o que escrevo. Mais uma vez perco-me em pensamentos interiores que tão tótós soam quando escritos ou ditos. Atormenta-me saber que escreve sobre o tempo, o nosso tempo, o tempo que nos falta e que vai ser o principal causador do fim. Não o fim do mundo, não o fim de nós. O fim de tudo o que ficou às margens do começo.Caio na realidade e percebo que todos os rodeios acabam em lacunas que um de nós insiste em deixar em branco. Faltam-me palavras para a confissão que escrever é o desabafo de quem já não mais sabe o que dizer ou fazer. Pudesse eu agitar a bola de neve e fazer todos os flocos caírem sobre nós sem dó nem piedade; pudesse eu viver a realidade d"outro lado do mundo" e tudo fugiria pelo meio dos dedos àquilo que está no meu controlo. Fervo ao saber que me conforto com a situação de saber o quão inconstante é uma realidade onde o melhor é também pior das soluções. "sou escravo das minhas intuições", escravo do que sinto, escravo de tudo aquilo que não sei explicar. Escrava da realidade imaginada que criámos para conforto e refúgio dos nossos sonhos. Ah, pudesse eu acabar com esta merda de vicio de escrever sempre que o túnel está no fim, pudesse eu acabar com a merda da intuição e a merda dos sentimentos e talvez nunca chegasse a perceber a textura do poço. Faltasse a mim a consciência de viver esta realidade e nem o pensamento perceberia que era no poço que o corpo jazia.Fico por aqui, a lamentar a necessidade de escrever sobre o nosso tempo, a lamentar a importância esquecida do presente que deseja ser passado. Fico por aqui, a pensar na lacuna global que se tornou cada palavra que tão mal representou o que lhe era incumbido. Fico por aqui... digo eu. Fico por aqui tentando matar a voz que dá ordem de partida. Fico por aqui, fingindo acreditar que o que digo é verdade. Por aqui... calando a voz que me mantêm escrevendo tentando acreditar que tudo vai mudar.O vício aperta, pede mais ou pouco. A voz que contradiz a falsidade das afirmações exige mais. Aproveita a situação e fala tudo o que amanhã vai esquecer. Escreve... escreve para amanhã se lembrar que o que escreveu neste momento de lucidez (ou não) fica registado para mais tarde ler que guarda baixa dá direito a KO.Mas do outro lado alguém diz para embarcar, fechar os olhos e voar até ao "outro lado do mundo". Fica complicado distinguir os dois, o momento de lucidez está a perder-se e as duas fundem-se num tormento de pensamentos em que de tão incompreensíveis ficam fusão de qualquer coisa que nem no mais ciente dos estados é legível. Mantém firme.Ah merda, já não sei porque quem escrevo. Por quem descrevo tudo isto que não desconfio sequer o que seja! Prós e contras. yellow, yellow, yellow, that's you?Sobre o que é que falava mesmo?
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